Manifestação contra racismo em shopping tem debate e passeata

Cerca de 50 pessoas se reuniram neste sábado (16) no Shopping da Bahia para se manifestar contra o racismo e a discriminação racial. O ato foi uma reação contra o episódio que aconteceu recentemente no estabelecimento, em que um garoto negro de 12 anos, Matheus Santos Silva, foi impedido por um segurança de se servir num restaurante da praça de alimentação após um cliente, Kaique Sofredine, pagar peça refeição.
A manifestação começou na praça de alimentação do terceiro piso, onde foi realizado um debate. Também foi lembrado o caso de Leno Sacramento, ator negro do Bando de Teatro Oldum que foi baleado nesta semana por um policial. “Essa manifestação é para mostrar que nossos corpos negros importam. O povo negro importa! Todos os dias, nossos corpos são excluídos nesses espaços. Para esses espaços, nós [negros] só servimos para trabalhar, mas não servimos para consumir. Eles pensam que nossos corpos foram feitos para a senzala, mas a gente sabe que não é assim”, disse a pedagoga Amanaiara Miranda às pessoas que assistiam à reunião.
Após discursos de outras pessoas e leitura de poemas, os manifestantes seguiram andando pelo shopping, gritando, em coro: “Parem de nos matar!”, “Nossos corpos importam!”; “Não ao racismo midiático!”; “Não ao racismo institucional!”. Também cantaram a música População Magoada, do Ilê Aiyê: “Negro, negra, negrada / A nossa honra tem que ser lavada / Na passeata nossa honra tem que ser lavada / População Magoada a nossa honra tem que ser lavada”.
Não houve reação dos seguranças do shopping, que sequer seguiram os manifestantes. Muitos consumidores, curiosos, pararam de fazer compras para observar o ato, filmaram e alguns bateram palma aprovando a reunião.
Manifestação apoiada
O aposentado Benedito José de Souza, 81 anos, ressaltou a importância do ato: “Está certíssimo; é muito válido. A raça negra é tão importante quanto qualquer outra. A diferença está apenas na epiderme. O preconceito é inaceitável, principalmente na Bahia, onde há muito mais negros que brancos”.
O professor universitário Ricardo Liper também revelou apoio: “Acho que a manifestação deve ocorrer e deve ser aqui sim. Precisa acabar com essa descaração. O Brasil é um dos países mais racistas do mundo. Isso que aconteceu com o menino parece Mississipi nos anos 1940”, disse, referindo-se ao estado americano­ conhecido pelo seu histórico de racismo.
Surgiram nas redes sociais rumores de que o segurança que impediu o restaurante de servir a comida teria sido demitido, mas o shopping assegura que ele está mantido no quadro de funcionários.

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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