Ana Amélia elogiou Dilma, apoiou Manuela e admira Brizola

Antes de se tornar uma alternativa para deter o avanço do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Sul do país, a senadora gaúcha Ana Amélia Lemos (PP) teve em sua curta trajetória política momentos de aproximação com a esquerda, como uma aliança com Manuela D'Ávila (PC do B), provável vice na chapa petista à Presidência.
Uma derrota eleitoral para o PT, em 2014, na qual foi alvejada por uma acusação de ter emprego público enquanto trabalhou como jornalista na iniciativa privada, marcou o acirramento do discurso da senadora, hoje escolhida vice do presidenciável tucano Geraldo Alckmin.
Apresentadora e colunista de veículos do grupo RBS (afiliada da Globo) até 2010, Ana Amélia, 73, estreou na política vencendo naquele ano sua primeira eleição, para o Senado, em uma coligação liderada pelo PSDB, da então governadora Yeda Crusius.
Em seus primeiros tempos de mandato, pregava moderação, estilo parecido com o qual se tornou conhecida como comentarista. Na época em que a presidente Dilma Rousseff ostentava elevada popularidade, Ana Amélia chegou a elogiar a petista, sua antiga fonte como jornalista. "Dilma fará a República das mulheres e vai apostar na intuição feminina", disse, em 2011, ao falar de nomeações.
Em uma rede social, confidenciou que havia enviado flores à petista pela sanção de um projeto seu.
Em 2012, Ana Amélia articulou o apoio de seu partido à candidatura de Manuela D'Ávila a prefeita de Porto Alegre.
Inusitada, a aliança buscava ganhos mútuos. Manuela, à época com 30 anos, tentava mostrar que tinha maturidade para administrar a cidade. Ana Amélia pretendia firmar pontes com outros grupos políticos e ganhar visibilidade, já tendo em vista as eleições seguintes.
Os principais candidatos na cidade eram aliados de Dilma. Dentro de seu partido, o apoio ao PC do B foi rejeitado, e Ana Amélia ficou impedida de pedir votos para Manuela no programa eleitoral na TV. A senadora, porém, insistiu no apoio, subiu em palanques e gravou depoimentos. "Sonho não tem idade", disse ela, na campanha.
Após um bom início nas pesquisas, a candidatura de Manuela definhou e foi derrotada pelo então prefeito José Fortunati, do PDT, acabando em um distante segundo lugar, com 18% dos votos.
Antes da campanha de 2014, a senadora do PP foi procurada pelo ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), que se lançava à Presidência disputando o campo político petista. A negociação não prosperou.
Também foi cogitada à época como vice na chapa do presidenciável tucano Aécio Neves, mas acabou decidindo pela candidatura ao governo gaúcho, então administrado pelo petista Tarso Genro.
Formou chapa com o PSDB, mas, como o PP apoiava Dilma nacionalmente, também teria problemas para mostrar o tucano no horário eleitoral. "As pessoas sabem de que lado nós estamos. Eu posso botar na minha testa o nome do Aécio. E vou fazer isso se for preciso", disse ela.
Começou a campanha como favorita, junto com Tarso, que tentava associá-la ao rejeitado governo de Yeda. O adversário afirmava ainda que ela "não conhecia o Rio Grande", por ter vivido mais de 30 anos em Brasília, onde fez sua carreira de jornalista.
REVIRAVOLTA
Mas a reviravolta viria a menos de um mês do primeiro turno, quando um site com ligações com o PT revelou que ela tinha sido funcionária comissionada do Senado na década de 1980 no gabinete de seu marido, o então senador Octávio Omar Cardoso, que morreu em 2011. Naquele tempo, ela já atuava no grupo RBS em Brasília.

Ana Amélia se explicou, negou irregularidades e disse que conciliava as atividades no Congresso com seu trabalho na rede de comunicação. O desgaste, no entanto, aumentava com a exposição do assunto no horário eleitoral, onde o PT chegou a chamá-la de "fantasma".
Com a troca de acusações, acabou caindo nas pesquisas e foi superada por José Ivo Sartori, do MDB, que acabou passando para o segundo turno e posteriormente eleito.
Ela ficou com 22% dos votos, em terceiro lugar. Sem grande base eleitoral, e com domicílio em uma cidade pequena, Canela, teve mais de 50% dos votos apenas em municípios menores ainda, na região onde nasceu.
Saiu da campanha dizendo ser vítima de "difamação e calúnias".
Voltou ao Senado e ajudou a convocar protestos contra Dilma ainda em 2014. Com o enfraquecimento do governo, aderiu ao impeachment e participou de embates no Congresso com petistas.
"Nem todos estavam dispostos a fazer esse enfrentamento. Na política não existe espaço vazio. Você ocupa porque alguém deixou", disse ela à Folha.
Sobre o apoio a Manuela, afirma que não se arrepende e que a iniciativa de seis anos atrás fortaleceu seu partido.
Neste ano, a senadora recrudesceu seus discursos, chegando a dizer que manifestantes deveriam "levantar o relho" (chicote) contra a caravana do ex-presidente Lula.
Ela continua dizendo ser admiradora do ex-governador Leonel Brizola, ícone da esquerda e a quem ajudou, ao lado do PDT, a colocar no "Livro dos Heróis da Pátria" reconhecido pelo governo. Mas hoje é mais comum vê-la ao lado de membros do MBL (Movimento Brasil Livre), mais conhecido dos grupos antipetistas surgidos nos protestos de 2015.
"Há uma frase do [ex-governador mineiro] Magalhães Pinto: a política é uma nuvem. Você olha e a nuvem está aqui e daqui a pouco está do outro lado. Se fica como poste, fincado, arraigado a determinadas posições e dogmas, você não avança", afirma ela. Por: Folhapress

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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