Após impasse, PT decide estrear campanha de Haddad com viagem ao Nordeste


A pós uma queda de braço dentro da cúpula do PT, a campanha de Fernando Haddad, vice na chapa petista ao Planalto, vai estrear publicamente, com viagens ao Nordeste, principal reduto eleitoral da sigla. Nesta quarta-feira (15), poucas horas antes de o PT registrar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Haddad se reuniu em Brasília com dirigentes e governadores do partido e traçou um roteiro de viagens já para a próxima semana.
Com a pressão desses petistas, que queriam acelerar a oficialização da campanha, as resistências internas foram superadas, nas palavras da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e Haddad seguirá para sua primeira viagem na terça-feira (21).
Antes do embarque, o ex-prefeito vai se reunir com Lula para, mais uma vez, ser orientado sobre o discurso a ser adotado. Como mostrou a Folha de S.Paulo, com aval do ex-presidente, Haddad já montou uma estrutura de candidato ao Planalto, com auxiliares e segurança que serão pagos pelo PT.
Gleisi era uma das pessoas que, na cúpula petista, defendia retardar a exposição do ex-prefeito de São Paulo para não naturalizar a ideia, já corrente, de que Lula não será de fato o candidato.
"Passamos por isso, mas jamais tivemos uma discussão sobre esconder Haddad, seria um erro crasso nosso. Isso está superado. Não tem mais dúvida, não tem mais polêmica. A campanha está na rua, quem vai fazê-la é Haddad", afirmou Gleisi após a reunião.
"Nós queremos ganhar a eleição e quem quer ganhar a eleição tem que pedir voto", declarou o governador da Bahia, Rui Costa, candidato à reeleição.
O primeiro porta-voz da tese de colocar o bloco na rua, que teve o aval de Lula, foi o ex-governador baiano Jaques Wagner.
Nesta quarta, após a reunião com Haddad, Jaques afirmou que não havia mais resistência à circulação do candidato a vice.
"Essa escolha de Sofia já foi superada", declarou. "Temos pouquíssimo tempo, a campanha é curta. O nome do Lula é conhecido. Mas, como ele não pode fazer campanha, Haddad fará", completou.
O ex-governador era cotado como plano B do PT caso Lula fosse impedido de concorrer. Ele, porém, declinou da missão e disse que, caso o registro do ex-presidente seja negado pelo TSE, "o jogo está jogado" com Haddad.
O próprio ex-prefeito afirmou que, a pedido de Lula, será a voz do ex-presidente enquanto ele permanecer preso.
No fim da tarde desta quarta, o PT registra a candidatura de Lula ao Planalto com Haddad na vice. O plano é que, depois de o TSE declarar o ex-presidente inelegível, Haddad assuma a cabeça de chapa, com Manuela D'Ávila (PC do B) na vice.
"Pela primeira vez um registro de uma candidatura é feito nos braços do povo. Uma multidão vem fazer o registro da candidatura. Chegamos até aqui, a despeito de muitos que não acreditavam, a despeito do golpe, que é continuado neste país", disse Gleisi.
Lula está preso em Curitiba desde abril por corrupção e lavagem de dinheiro e, condenado em segunda instância, deve ser impedido de disputar a eleição de outubro com base na Lei da Ficha Limpa.   Por: Folhapress

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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