Movimento de Huck sugere a presidenciáveis regular maconha e taxar rico


Para um cenário de presídios superlotados e guerra entre traficantes, a regulação da maconha para uso adulto. Para um sistema em que "os mais pobres acabam por pagar, proporcionalmente, mais tributos que os ricos", a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas.
As propostas são do Agora!, o grupo que prega renovação na política e que tem o apresentador Luciano Huck entre os mais de cem membros.
Quase presidenciável (ele desistiu de vez da disputa em fevereiro), o comunicador e empresário quer que bandeiras discutidas na organização independente e apartidária sejam incorporadas pelos que miram o Planalto.
As 130 sugestões, distribuídas em oito setores (como segurança pública, economia, combate às desigualdades, educação, saúde e sustentabilidade), foram pesquisadas nos últimos meses e serão apresentadas aos candidatos.
O trabalho envolveu outros integrantes do Agora! especialistas em suas áreas --como Melina Risso e Ilona Szabó (segurança), Beto Vasconcelos (políticas públicas e direito) e Patricia Ellen (saúde).
O documento reúne políticas "fundamentais para a construção de um país mais eficiente e justo", diz Huck à Folha.
"A ideia desde a fundação do movimento sempre foi a formação de corpo técnico para a implantação de políticas publicas baseadas nas agendas que estamos discutindo", segue ele, membro desde o ano passado (o grupo é de 2016).
Uma agenda cara a ele, a do uso da tecnologia por governos, ganhou um capítulo exclusivo. Huck realizou evento em São Paulo há alguns dias para incentivar a aproximação do cidadão e do Estado por meio de novas ferramentas.
Segundo Melina Risso, integrante do Agora! e ex-diretora do Instituto Sou da Paz, muitos temas foram incluídos no documento sem um caráter de imposição, mas como ideias a serem discutidas. É o caso de assuntos mais controversos, como regulação de drogas e taxação dos mais ricos.
"São conversas difíceis, mas que precisam ser feitas. É preciso superar os tabus", diz ela. 
Na seara da política de drogas, por exemplo, Melina acha que "ficar perseguindo o usuário na ponta não funciona".

"A redução da desigualdade é o ponto central", segue ela, falando sobre o eixo que é consensual no grupo. 
Outros tópicos geram divergência inclusive internamente, mas houve a decisão de incentivar o debate sobre eles.

O processo incluiu escuta da população (foram mais de 80 reuniões em 21 estados) e consulta a dezenas de especialistas. "A gente busca o tempo todo sair do clima de polarização no país", diz Melina.
Outra prioridade foi se espelhar em iniciativas já testadas e consideradas bem-sucedidas, no Brasil e no exterior.
O conteúdo será levado aos candidatos a presidente, que serão convidados a assinar uma carta-compromisso.
Participantes do movimento que concorrerão a cargos públicos em outubro também devem aderir a algumas das pautas em suas plataformas.
O Agora! tem 18 membros disputando vagas em Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional, por siglas como Rede, PPS, PSB e Podemos.
"É menos uma proposta para os presidenciáveis, voltada só para a eleição, e mais para o país", afirma Melina. "São transformações que dependem também de outros Poderes, além do Executivo, e da participação da sociedade." 
Por: Folhapress

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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