Luciano Huck escreve artigo sobre as eleições e não poupa PT nem Bolsonaro


O apresentador Luciano Huck, da Rede Globo, durante certo período, pensou em disputar a Presidência da República. Fontes nos bastidores da televisão dão conta de que até partidos o apresentador teria procurado, mas acabou desistindo. Agora, fora da corrida presidencial, que já está no segundo turno, Huck resolveu falar sobre o futuro do país.
 
Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, o apresentador diz: “sim, há o que comemorar. Apesar de todos os pesares, uma luz clara e brilhante foi acesa na extremidade do túnel. Quem me acompanha se lembra que aqui neste espaço da Folha, assumi no ano passado meu compromisso concreto com a renovação política, com foco muito preciso no Legislativo. Já naquela altura me parecia claro que a única maneira de garantir que a "escolha de Sofia" que estamos vivendo neste segundo turno —só ressalvando que Sofia teve que escolher entre dois filhos amados, o que não é exatamente o caso— não se repita no futuro seria trabalhar por um Congresso ocupado por homens e mulheres genuinamente focados no bem-estar coletivo e capazes, com inteligências e energias direcionados ao debate sobre um novo projeto de país, independentemente de ideologias e crenças”.
 
O apresentador da Globo também convida os leitores para uma aproximação da política: “nossa convocação foi simples: vamos nos aproximar da política, vamos ocupá-la com gente nova, preparada e comprometida a servir, no tempo e significado corretos do verbo. Vamos trabalhar para que a sociedade consiga voltar a encontrar na política gente da melhor qualidade. Convocar toda uma geração a colocar a mão na massa, parar de só reclamar e efetivamente atuar na mudança”.
 
Huck também chamou atenção para a renovação no congresso: “E o resultado está aí, alto e claro: 61% de renovação nas cadeiras do senado, mais de 50% de novos nomes na Câmara dos Deputados, boa parte da velha e apodrecida política aposentada pelas urnas. Claro que nem todos os novos nomes eleitos se encaixam nos requisitos de preparo e de respeito à cidadania de que estamos falando, mas é inegável que temos uma quantidade expressiva deles entre os novos ocupantes das cadeiras do parlamento.
 
O PT e Bolsonaro não foram poupados no artigo. “Não compactuo com o modo de pensar e de operar do PT. A tese de que temos que construir um país mais justo e menos desigual é sem dúvida o eixo que enxergo para orientar qualquer governo minimamente digno. Não há outra missão mais relevante do que atacar o enorme abismo social que criamos no país. Mas esta pauta não é nem pode ser monopólio do PT. E não deveria ser exclusividade de um ou outro partido, mas a premissa a orientar qualquer um que pretenda governar o Brasil. (...) Ao mesmo tempo, se acreditamos na máxima que diz ‘conhecer o passado é a melhor maneira de construir o futuro’, temos um grave problema do outro lado também. Bolsonaro se tornou conhecido propagando ideias retrógradas, sectárias, preconceituosas e belicistas. Tudo aquilo de que não precisamos na atual conjuntura. Um postulante ao cargo máximo da República definitivamente não pode pensar e muito menos dizer o que ele já disse ao longo dos seus 27 anos de vida pública.  Sigo acreditando que ideias, trabalho e inteligência sempre irão se sobrepor às armas na busca de soluções. Tendo a não acreditar que se eleito, Bolsonaro invista no caminho do autoritarismo ditatorial, com atos extremos como fechamento do congresso, censura na mídia, perseguição política e outros radicalismos antidemocracia. Mas temo sim que o discurso de ódio ou de desprezo pelo diferente na boca de um mandatário eleito pela maioria legitime violência e discriminação”.  Por: Reprodução

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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