Motorista suspeito de prender perna de passageira em ônibus mantém versão de que mulher chutou porta; condutor foi demitido


Segundo a polícia, o condutor manteve a versão de que em nenhum momento abriu a porta do veículo e que foi a mulher quem chutou a porta e acabou com a perna presa. O condutor, que estava afastado das atividades da empresa, foi demitido por justa causa.
O depoimento do motorista, na 14º Delegacia, que fica no bairro da Barra, durou cerca de 1h30. Após a oitiva, a Polícia Civil informou que está aguardando o laudo do exame de corpo de delito feito pela passageira para conlcuir o caso.
"Ele pode ter que responder pelo crime de trânsito, com base no Código de Trânsito, e ter a CNH cassada, caso tenha sido um acidente, ou pode responder com base no código penal, caso tenha sido lesão corporal dolosa, com intenção", disse a delegada Carmen Dolores.
A delegada ainda informou que a defesa da vítima está tentando reverter a demissão por justa causa do condutor. O G1 não conseguiu contato com o advogado do motorista nesta tarde.

Outro lado

A mulher contou que estava no ônibus, que fazia a linha Campo Grande R2, quando, ao ver o sinal vermelho, perguntou se o motorista poderia deixar que ela descesse antes da parada oficial. Ela relatou que o rodoviário teria deixado e, quando foi tentar sair, ele fechou a porta.
“Na hora que eu coloquei a perna, ele já foi fechando e não deu tempo de eu puxar a perna. Aí quando ele fechou, eu comecei a puxar a perna e o pessoal que estava no ônibus começou a gritar, dizendo para ele que minha perna estava presa”, explicou a vendedora.
A passageira ficou com a perna presa do joelho para baixo. Mesmo após a vítima pedir para o motorista abrir a porta por várias vezes, ele seguiu viagem. Ele chegou a parar em alguns locais, mas não liberou a saída da mulher.
Segundo a vendedora, o motorista se negou a abrir a porta e também a agrediu com palavrões. “'Eu só vou abrir quando eu quiser e se eu quiser. A pessoa vem trabalhar no feriado, uma vagabunda dessa...' Foi quando ele se irritou mesmo, entendeu?”, disse a mulher.
Outros passageiros se juntaram para pedir que a porta traseira fosse aberta, e, só depois, o motorista liberou para a passageira descer do ônibus.
Após o incidente, a vendedora afirmou ter medo de pegar ônibus e encontrar o motorista pela rua. “Toda vez que eu penso em pegar ônibus, eu já fico meio assim de chamar e ser ele, né? É a mesma rotina", desabafou.

Afastamento

Após a situação ser divulgada, o motorista foi afastado do cargo até o fim da apuração do caso pela empresa, segundo a Concessionária Salvador Norte (CSN), que administra os coletivos na região da orla da capital baiana.
De acordo com a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), a empresa CSN foi penalizada com uma multa. O valor não foi divulgado.
O Consórcio Integra informou que os transportes de Salvador são administrados por três empresas. A Ótima Transporte é responsável pela região do centro da cidade, a CSN pela região da orla e a Plataforma pelo subúrbio ferroviário.
"As concessionárias são obrigadas a atender as pessoas com civilidade, são obrigadas a prestar um bom serviço. O contrato exige que sejam feitos cursos de qualificação, e esse curso tem sido feito para melhorar o atendimento do rodoviário para com o usuário, e o município não vai admitir uma situação como essa", explicou o secretário de mobilidade, Fábio Mota.

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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