PF indicia Abilio Diniz por suspeita de organização criminosa e estelionato


O empresário Abilio Diniz e o ex-diretor-presidente da BRF Pedro de Andrade Faria foram indiciados pela Polícia Federal nesta segunda (15) sob suspeita de terem cometido crimes contra a saúde pública, estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa.
A PF usou a troca de mensagens por meio do aplicativo WhatsApp e acesso a emails para indiciar os executivos. O indiciamento consta do relatório da terceira fase da Operação Carne Fraca, denominada Trapaça, que investiga supostas fraudes laboratoriais e informação de dados fictícios ao Ministério da Agricultura.
Além dos dois, outras 41 pessoas foram indiciadas. Caberá ao Ministério Público Federal decidir se oferece denúncia com base nas conclusões da polícia, se pede novas diligências ou se arquiva a apuração, por não considerar haver provas para fazer uma acusação criminal contra os citados.
No relatório de 404 páginas, o delegado da PF Maurício Moscardi Grillo afirma que a análise de arquivos durante a investigação, como conversas por mensagens de emails e WhatsApp, "concluiu-se a prática das condutas delitivas não se restringia ao círculo das equipes técnica e gerencial das fábricas da BRF".
"Há, de fato, a participação do corpo diretivo da empresa na trama investigada, o qual tinha ciência de seu modus operandi, e que, não somente se omitiu em relação a fazer cessá-lo, mas, também, participou comissivamente dos atos de ocultação das fraudes, norteando sua execução", diz o relatório.
"Destaca-se a participação ativa, em caso envolvendo a detecção de resíduo tóxico em carne de frango pelas autoridades chinesas (Dioxina), de Pedro de Andrade Faria (à época diretor-presidente global do grupo BRF), Abílio dos Santos Diniz (à época Presidente do Conselho da BRF) e José Carlos Reis de Magalhães Neto, sócio da Tarpon Investimentos ", segundo o relatório.
A operação Trapaça foi desencadeada pela PF em 5 de março de 2018, levando a prisão, na época, de Pedro Faria.
Em um dos casos citados no relatório, a PF relata uma conversa por WhatsApp entre Pedro Faria, Abílio Diniz e José Carlos Reis de Magalhães Neto, sócio da Tarpon, de 12 de dezembro de 2014.
Entre as mensagens citadas no relatório da PF, consta comunicação de Abilio com Faria e Magalhães Neto em que o executivo afirma que "Não estou a par mas enquanto pudermos não alimentar mais é melhor. Mas temos ótimos assessores confio neles."
Para a PF, o contexto das conversas indica o conhecimento dos principais executivos da BRF sobre os problemas.
"Abílio Diniz e Pedro Faria, pela posição hierárquica que ostentavam no quadro corporativo do grupo, possuíam plena capacidade de orientar os círculos sob sua subordinação a tomar as medidas técnicas e eficazes, em âmbito sanitário, para que se determinasse a causa-raiz da contaminação química dos produtos destinados ao consumo e a regularização do processo industrial."
O delegado anota que, contudo, o que ocorreu na conversa foi a "lamentação" dos executivos do vazamento da informação, a interlocução com a então ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), e a tomada de medidas com o objetivo de "abafar" a disseminação de fatos descritos em matéria veiculada na imprensa nacional.
Abílio Diniz foi presidente do conselho de administração da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e desde 2016 é membro do conselho de administração do grupo Carrefour.
BRF, Carrefour e Península Participações, responsável pelos investimentos de Diniz, não responderam imediatamente a pedidos de comentários. A Tarpon e Magalhães Neto não comentaram o assunto.
Procurados pela reportagem, Abilio Diniz e a BRF ainda não responderam. A Tarpon e Magalhães Neto não comentaram o assunto.   Por: Folhapress

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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