Anda esquecido? Saiba como desenvolver a memória

Já pensou em como seria vantajoso ter memória fotográfica e ser capaz de lembrar de qualquer informação? Há dias em que 24 horas parecem não ser suficientes para tantas tarefas. Se no meio do caminho for preciso se preparar para uma prova, redigir um documento ou até mesmo procurar as chaves de casa, bate a vontade de ter uma memória melhor e que não decepciona quando o assunto é economizar tempo.

Na série “Suits”, o tema é representado pelo personagem Mike Ross. O jovem garante seu emprego na maior empresa de advocacia dos Estados Unidos mesmo sem feito faculdade. Seu recurso durante a entrevista foi mostrar a um dos sócios que havia decorado todas as leis do país e estava pronto para encarar o processo que viesse. 
Em um dos episódios, Mike diz que sua capacidade não está em ver uma página e gravar seu conteúdo. Ele apenas tem facilidade em aprender e a capacidade de não esquecer de uma informação depois que a internaliza.
A neurocientista Bruna Velasques afirma que nem todas as pessoas conseguem desenvolver a capacidade de memorização do personagem, e que a ciência ainda não atesta casos como o apresentado em "Suits": 
— Não existe evidência científica de memória fotográfica, nem uma classificação dos estudos de memória sobre o tema. Sabemos que algumas pessoas têm excelente capacidade de armazenar informação e que elas são submetidas a estudos. Mas como esse número é pequeno, fica difícil pesquisar como se dá isso que chamamos de memória fotógrafica  — conta ela, que é pós-doutora e colaboradora do Instituto de Neurociências Aplicadas (INA). 
Ainda que não seja possível chegar ao nível de olhar uma cena por segundos e descrevê-la na íntegra, a especialista explica que todos podem guardar informação rapidamente. Por isso é possível estimular a memória com técnicas individuais: 
— Essa capacidade, que também é chamada de memória eidética, não é comprovada. Logo, todos têm facilidade para absorver determinados dados com mais facilidade. Existem estratégias empíricas que podem ser desenvolvidas para melhorar a capacidade de aprendizado, ou seja, cada um desenvolve a sua. Por exemplo, há quem ache mais fácil associar informações a formas, cores ou sons. Cada pessoa tem uma espécie de programação, um potencial máximo que pode atingir. Depois que chegar lá, não há treinamento que a faça ultrapassar isso — comenta a neurocientista, que é professora de programas de Mestrado e Doutorado da UFRJ.
Bruna também explica que a qualidade da informação a ser aprendida é mais relevante do que a quantidade de dados armazenados, o que está ligado à importância que cada conteúdo tem para cada pessoa: 
— Tudo depende da funcionalidade. Por exemplo, não tem porquê armazenar todos os nomes e números de telefone de uma lista de contatos. O desenvolvimento da memória só pode ser vantajoso se tiver relevância no dia a dia. Tudo bem em gravar informações para uma prova, mas ela vai ser apagada se não tiver funcionalidade. Mais do que ter a capacidade de armazenar, é importante identificar como a pessoa lida com as informações.  
A pesquisadora ainda ressalta que as técnicas de aprendizagem são individuais, e critica aulas para estimular a memória, alertando que elas apenas têm apelo de venda: 
— A neurociência desaprova cursos como “treinamento do cérebro”, por serem mais comerciais do que efetivos. A repetição de uma informação não leva à funcionalidade.  Não existem estratégias universais. A reabilitação cognitiva deve ser feita de forma individual, e nem sempre o que funciona para uma pessoa funciona para outra. São atividades individualizadas, dando significado, emoção e motivação a cada um para desenvolver a memória — explica. 
Mesmo que existam técnicas pessoais, a professora conta que algumas regras básicas devem ser seguidas por todos que desejam melhorar o aprendizado: 
— Aprender tarefas novas e praticar exercícios influencia na capacidade da memória geral. Problemas com o sono e alimentação prejudicam a atenção e a aprendizagem. A boa alimentação também contribui para a formação de neurônios. Além disso, passatempos de revista podem ser feitos como diversão, mas não há evidência científica de que influenciam a memória — esclarece. (Agência O Globo)

Escrito por Folha de Noticias SAJ

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