Onyx Lorenzoni vai de pedra a vidraça e enfrenta desconfiança no Congresso


    Em 27 de fevereiro de 2003 o médico veterinário gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM) subiu à tribuna da Câmara para fazer seu primeiro discurso como deputado federal.
    Aquele seria o início de vários ataques ao PT, partido que ele elegeu como alvo principal de sua carreira e que em suas palavras carregava uma "proposta embasada na mentira, na enrolação, na falsidade".
    Em praticamente todos os 24 anos como parlamentar —8 como deputado estadual e 16 como federal— Onyx, hoje com 64 anos, foi pedra.
    Pedra contra os governos do PT no Rio Grande Sul, pedra contra os 13 anos e 4 meses do PT do comando do país, iniciados justamente no ano em que ele chegou a Brasília.
    Ao integrar-se a um diminuto grupo de deputados que em 2017 nadou contra a corrente e aderiu à incipiente campanha de Jair Bolsonaro (PSL), porém, Onyx agora virou vidraça.
    Como principal articulador político da transição e futuro ministro da Casa Civil de Bolsonaro, ele enfrenta as maiores resistências justamente na Casa que frequentou nos últimos 16 anos.
    Nas últimas semanas, a Folha ouviu relatos reservados de congressistas que criticam a atuação de Onyx apontando falta de traquejo político e erro ao apostar na negociação com frentes parlamentares e não partidos.
    Além disso, afirmam ter havido rompimento da confiança com o Congresso quando ele relatou o pacote de medidas anticorrupção elaborado pela força tarefa da Lava Jato, em 2016.
    Segundo vários desses parlamentares, Onyx prometeu ação alinhada aos caciques do Congresso, que pretendiam aprovar uma anistia ao caixa dois —o recebimento por fora de dinheiro de campanha, que assombra grande parte do mundo político após as delações premiadas da Lava Jato.
    Onyx, relatam, rompeu a suposta promessa e se alinhou aos procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba com o objetivo de angariar benesses eleitorais.
    O projeto acabou sendo engavetado, incluindo a tentativa de anistia, e dali em diante o deputado passou a ser persona non grata na Casa, inclusive dentro do seu partido.
    Onyx nega ter feito qualquer tipo de promessa. Um dos colegas ouvidos pela Folha, também em caráter reservado, corrobora sua versão.
    De todos os deputados ouvidos, apenas um aceitou falar sem reservas. Amigo há quase 40 anos de Bolsonaro, Alberto Fraga (DEM-DF) foi o primeiro anfitrião dos jantares do grupo que deu suporte inicial à candidatura do hoje presidente eleito.
    "Fui eu quem levou pela primeira vez o Onyx para uma reunião com o Bolsonaro. Cheguei a reunir 49 pessoas em um jantar", diz Fraga. Encontros posteriores já seriam realizados na casa de Onyx, que cozinhou para os convidados.
    Apesar da longa amizade e do pioneirismo no apoio, Fraga não integrará o governo devido à condenação em primeira instância que sofreu, em setembro, por concussão (vantagem indevida na esfera pública). "Ele [Bolsonaro] mandou eu resolver o meu problema na Justiça. Não posso ficar chateado, acho que ele está certo", diz Fraga, que recorreu da sentença.
    Apesar disso, compara o seu caso ao das suspeitas contra a família Bolsonaro e contra o próprio Onyx.
    "O estranho é que os problemas que estão surgindo aí são mais graves que os meus, mas o meu tem a palavra 'condenação'. A apelação suspende a condenação, mas para vocês da imprensa o que vale é a condenação", diz Fraga.
    Questionado se se referia, ao falar em problemas "mais graves", à movimentação financeira suspeita de um ex-funcionário de um dos filhos do presidente eleito, disse: "Aí deixo pra vocês fazerem a avaliação. Veja o caso do Onyx, ele afirmou que recebeu caixa dois. No meu caso, é apenas a palavra de um bandido, de um vagabundo, contra a minha".
    O caixa dois citado por Fraga é outra grande pedra no sapato do futuro ministro. Onyx já chegou a admitir que recebeu dinheiro não declarado da JBS para sua campanha em 2014, no valor de R$ 100 mil.
    Como mostrou a Folha, uma planilha entregue ao Ministério Público sugere ainda uma segunda quantia de caixa dois, em 2012, de outros R$ 100 mil, esses não admitidos por Onyx.
    O caso o enfraqueceu politicamente. Bolsonaro evitou defendê-lo por completo. Além disso, Onyx terá funções de sua pasta divididas com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).
    Em 2016, em meio ao embate em torno do pacote de medidas contra a corrupção, o então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), um dos principais alvos da Lava Jato, chegou a ironizar as suspeitas em relação ao deputado.
    Ao dizer que seu sobrenome se assemelha ao da marca de chuveiro Lorenzetti, Renan afirmou que sentiria falta de uma das propostas do pacote que não vingou, a de submeter agentes públicos a testes de integridade. "Pesava sobre ele [Onyx] uma acusação de ter recebido caixa dois de uma indústria de armas. E era uma oportunidade para que ele, nesse teste, pudesse demonstrar o contrário, com o meu apoio."
    Além da oposição ao PT, Onyx também pautou seus anos no Congresso pela atuação na bancada da bala, tendo integrado missão oficial que em 2012 visitou a fábrica da Companhia Brasileira de Cartuchos.
    Onyx foi um dos parlamentares preferidos na destinação de doações eleitorais da indústria de armas. Recebeu dinheiro da Taurus em 2006 (R$ 110 mil), 2008 (R$ 150 mil), 2010 (R$ 150 mil) e 2014 (R$ 50 mil), últimas eleições gerais em que se permitiu financiamento empresarial das campanhas.
    Da Companhia Brasileira de Cartuchos foram R$ 80 mil em 2006, R$ 150 mil em 2008 e R$ 50 mil em 2010. Da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições, R$ 100 mil em 2010.
    Seus bens declarados à Justiça Eleitoral somam R$ 1.048 milhão.
    Onyx foi procurado, mas não atendeu a pedidos recentes de entrevista feitos pela Folha.
    (Folhapress)

    Escrito por Folha de Noticias SAJ

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