Brumadinho: depoimentos apontam que rompimento de barragem não foi acidente


    O programa da rede Globo, Fantástico, teve acesso aos depoimentos prestados para a força-tarefa que apura as responsabilidades pela ruptura da barragem de Brumadinho, tragédia que ainda contabiliza seus mortos, em Minas Gerais. A reportagem foi ao ar neste domingo (10).
    Até agora, 59 pessoas foram ouvidas, entre testemunhas e investigados. De acordo com o programa da Globo, os depoimentos levam o Ministério Público a afirmar que o ocorrido não foi um acidente. As investigações apontam que a Vale foi alertada em 2017 sobre os indícios de ruptura da barragem.
    Para a Polícia Civil e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a companhia foi alertada antes da tragédia. “A força-tarefa trabalha com o ano de 2017 em que já há demonstração que a empresa já tinha ciência de indício de ruptura da barragem”, afirmou o delegado Bruno Cabral.
    A engenheira civil Cristina Malheiros entrou para a Vale em 2011 e era responsável técnica pela barragem. Em depoimento, ela disse ter participado de um evento da Vale no fim de 2017. Na ocasião, uma consultora mostrou que a barragem tinha uma margem de segurança muito baixa caso ocorresse uma liquefação. 
    Segundo a investigação, ao saber do risco, em vez de tomar medidas concretas, a Vale apostou em outros métodos para calcular a estabilidade da barragem. Como o risco continuava, a Vale tentou outra opção, instalar drenos para retirar água da estrutura, os chamados drenos horizontais profundos (DHPs). “Ao meu ver é uma coisa temerária porque o DHP é uma intrusão que se tiver qualquer problema pode induzir ‘piping’... Podia ser um gatilho. Poderia ter sido feito com mais cuidado, mas eles...”, disse Arsênio Negro Júnior, consultor da TÜV SÜD, empresa alemã que prestava serviços para a Vale. O consultor acrescentou que havia formas mais seguras de instalar os drenos, como usar pressão mais baixa e revestimento nos furos.
    A TÜV SÜD foi pressionada pela Vale pra emitir declarações de estabilidade de barragem apesar de conhecer a criticidade das estruturas da barragem 1 do Complexo do Córrego do Feijão”, atestou o promotor.
    Dias antes da tragédia, os novos aparelhos, que eram automáticos, acusaram picos de pressão na barragem, mas a Vale considerou que eram erros de medição, um fato que ainda será apurado.
    Em nota, a Vale informou que uma vistoria feita na barragem dois dias antes da tragédia não detectou risco de rompimento. Disse ainda que todas as intervenções no local foram medidas normais de segurança e que nenhum depoimento de funcionário da empresa indica conhecimento prévio de risco de ruptura.
    Para os investigadores do caso, a apuração até agora indica que a tragédia de Brumadinho não foi acidente, mas um crime a ser punido. “A força-tarefa, ela vai dar uma resposta para a sociedade, pode ter certeza disso”, afirmou o delegado Eduardo Figueiredo. (Folhapress)

    Escrito por Folha de Noticias SAJ

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