Momento é de acolher crianças e jovens e se afastar de redes sociais, dizem especialistas


    Tragédias como a ocorrida em Suzano podem ter implicações na vida de famílias, de crianças e de adolescentes que estão bem distantes do fato em si, mas que ficaram abalados com o cenário de violência. Para piorar, notícias falsas circulando em redes sociais só agravam o estado emocional dos jovens.
    Para especialistas, abrir espaços de acolhimento, empatia e diálogo sem tabu, longe da histeria das redes sociais, é fundamental nesse momento que pode ser intenso e ter desdobramentos futuros.
    "É momento de acolher, de deixar falar sobre o assunto, de chorar junto, de externar a tristeza. A criança precisa se sentir segura, e os pais podem dar essa sensação de volta a ela, usando o vocabulário e as informações propícias para cada idade", afirma Elaine Di Sarno, psicóloga e neuropsicóloga pela USP.
    A psicóloga Beatriz Moura, especialista em saúde mental pela UFRJ, faz um alerta sobre o efeito das "fake news", que podem agravar um estado emocional frágil.
    "Não se pode tapar o sol com a peneira fingindo que nada aconteceu, mas também não é possível ficar chutando as causas da tragédias se baseando em coisas da internet, falando do que não se sabe ao certo, de maneira distorcida."
    Segundo o psiquiatra Ricardo Moreno, professor da Faculdade de Medicina da USP, a melhor forma de lidar com o assunto é falando sobre ele.
    "Os pais não podem se omitir por receio de não saber o que falar. Ninguém precisa ter resposta para tudo, mas é importante garantir o acolhimento, o afeto, a proteção."
    Para os especialistas, sinais de alerta na rotina dos jovens e adolescentes podem ajudar a identificar que algo não vai bem em suas vidas.
    "As alterações de comportamento podem ser sutis. Os adolescentes podem ficar fechados no quarto, intolerantes, brigar mais. Também é preciso observar o uso de drogas", diz Di Sarno.
    Falta de apetite, alteração no sono e agressividade também são fatores a serem observados. As psicólogas recomendam fortemente que os pais acompanhem a vida dos filhos nas redes sociais.
    De acordo com Moura, os filhos não podem encontrar suporte emocional no anonimato das redes e depender de aconselhamentos de quem eles nunca viram. "São os pais quem devem dar o suporte emocional a seus filhos."
    Para as vítimas mais próximas do massacre, como professores, alunos, familiares e vizinhos da Escola Estadual Raul Brasil, a recomendação é de intervenção profissional efetiva, já que estão expostos a complicações psicológicas mais complexas. Uma experiência tão brutal como assistir a um tiroteio pode ser um gatilho para a síndrome do estresse pós-traumático.
    "Cada um responde de maneira diferente, mas os mais próximos precisam de uma rede de apoio para acompanhá-los em curto, médio e longo prazos. As turmas de alunos e profissionais vão precisar de apoio para retomarem suas vidas", declara Moura.
    Segundo Di Sarno, é possível que pessoas da comunidade escolar tenham ansiedade, depressão e problemas de aprendizado, principalmente se não forem amparadas.
    SINAIS DE ALERTA EM RELAÇÃO À SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES
    Mudanças na personalidade ou nos hábitos
    Piora do desempenho na escola
    Afastamento da família e de amigos
    Perda de interesse em atividades de que gostava
    Descuido com a aparência
    Perda ou ganho inusitado de peso
    Comentários autodepreciativos persistentes
    Pessimismo em relação ao futuro
    Comentários sobre morte e interesse por essa temática
    (Folhapress)

    Escrito por Folha de Noticias SAJ

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