Petrobras atrasa entrega de insumos na Bahia e prejudica empresas do setor da construção e pavimentação

    O mês de abril começou com prejuízos para algumas empresas na Bahia. Desde o início do mês sem receber um dos principais insumos para a realização de obra de contrução e pavimentação, empresários de pelo menos sete empresas baianas procuraram o BNews para relatar o impacto que a falta do CAP vem causando no setor. O CAP - Cimento Asfáltico de Petróleo, obtido pelo processo de destilação do petróleo, pelas refinarias da Petrobrás S.A. e que provém de petróleos importados ou nacionais para o emprego em serviços de pavimentação ou industrial, deixou de ser fornecido pela estatal há quase um mês. "A entrega era diária. Preciso do CAP para nossa prpdução e realização de obras, mas estamos sendo prejudicados", relatou um empresário que preferiu ter a identidade revelada. Segundo ele, as indústrias têm recorrido à Petrobras, mas "nunca há uma previsão concreta de quando vamos voltar a receber o insumo. Estamos paradas".
    Procurada, a Petrobras confirmou o atraso do CAP. De acordo com a empresa, "em virtude de problemas operacionais com insumos, houve uma diminuição na produção do Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP) na Refinaria Landulpho Alves (RLAM), que será normalizada a partir 22 de abril de 2019. Essa redução não afetou a distribuição de CAP na Bahia, uma vez que as distribuidoras podem fazer a retirada do produto nas refinarias Gabriel Passos (REGAP - MG) e Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor - CE)".
    Entretanto, o empresário rebateu o comunicado, afirmando que "quando ocorriam atrasos a Petrobras arcava com o frete. Hoje, se eu tiver que recorrer às outras refinarias sem ser à Landulfo Alves pagamos um frete de R$ 400, o que significa um aumento de 20% nos custos com a operação. Ficamos prejudicados", avaliou.
    Mesmo com a previsão de entrega datada para o dia 22 de abril, esta semanaa Petrobras voltou a entrar em contato com os empresários prorrogando o prazo, agora marcado para dia 24/04, conforme e-mail obtido pelo BNews
    Entre as empresas do setor que estão prejudicadas por conta do atrasoo na entrega do CAP estão Campbel Construções e Terraplenagem, Pavinorte Pavimentaçoes Ltda, Paisartt Construtora, Continental, PJ Construções e Terraplanagem LTDA, Construtora Lustoza e EBRAE - Empresa Brasileira de Engenharia Ltda.
    Situação da RLAM
    O atraso na entrega do insumo já mostra-se como uma consequência da diminuição da produção na Refinaria Landulfo Alves (RALM), informação confirmada em nota pela própria Petrobras. Com um futuro incerto e possibilidade de ser 60% vendida, o impacto do gereciamento da Petrobras com as refinarias no Estado podem ser devastador.
    De acordo com o presidente do Sindipetro-Ba, Deivdy Bacelar, a refinaria já está em um processo de venda, que breve ser oficilizada no próximo mês. "Ainda não sabemos a empresa, já que está numa fase de apresentação de propostas. O que sabemos é que estes 60% de venda anunciados pela Petrobras significa a perda do controle acionário da refinaria, já que a Petrobras não será mais a gestora", afirmou. 
    Segundo Bacelar, o projeto da Petrobras aqui na Bahia "é vender os cincos terminais da Transpetro. Se brincar, o Governo Federal vai acabar com a Petrobras aqui". Ainda conforme o sindicalista, os valores da transação não foram divulgados. Entre as interessadas na compra da RLAM estão as gigantes Shell, Total S.A. e PetroChina.
    De acordo com o projeto anunciado pela Petrobras este ano, a estatal vai ficar com 40% de participação e as empresas parceiras com o restante. O processo de venda será supervisionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A refinaria, segunda maior do Brasil, é responsável por 99% do refino de petróleo da Bahia.
    "Se não houver uma reação da sociedade e do governo do Estado quanto à transação do Governo Federal, as perdas serão enormes. Tanto na geração de empregos, quanto a arrecadação para a Bahia", afirmou Bacelar, que estima a perda de 25% do ICMS na arrecadação do Estado. 
    O presidente da Sindipetro, que é técnico de segurança da refinaria, lamenta as perdas da RLAM nos últimos dez anos. "Já tivemos um pico de 10 mil trabalhadores atuando, que foi quando houve a construção de quatro novas unidades de processamento. De lá para cá, só houve redução de investimentos", pontuou. A RLAM já teve 10 mil funcionários terceirizados, hoje o número não ultrapassa os 1.200. Já os diretos chegam a 860, quando já somaram 1.500 trabalhadores próprios.
    A Petrobras anunciou que avalia reduzir participação no mercado de refino de petróleo, mediante parcerias e venda do controle de outras três refinarias dos blocos regionais do Nordeste e Sul, mantendo a operação no Sudeste. As parcerias incluiriam venda de participação nas refinarias Abreu e Lima, no Nordeste, e Alberto Pasqualini e Presidente Getúlio Vargas, no Sul, além de 12 terminais associados. (Caroline Gois )

    Escrito por folha

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