Mundial feminino cresce, mas ainda está longe de sua versão masculina


    Quando a Marselhesa ecoar nesta sexta (7) no Parc des Princes, em Paris, estará prestes a começar o jogo França x Coreia do Sul e, com ele, a oitava edição da Copa do Mundo feminina de futebol. Ao contrário do que brada o verso do hino, porém, o dia de glória ainda não terá chegado para a modalidade.
    Apesar do aumento de repercussão, tanto o Mundial quanto a prática do esporte por mulheres estão distantes do prestígio do masculino.
    Condições de trabalho, salários, premiações, volume e valor das transferências estão em patamares distantes. O abismo entre o mundo da bola deles e delas é brutal.
    A seleção feminina dos Estados Unidos, tricampeã do mundo e primeira do ranking da Fifa, recebeu de sua confederação US$ 1,7 milhão (R$ 5,38 milhões, pela cotação da época) pelo último triunfo, em 2015, no Canadá. Um ano antes, a formação masculina levara US$ 5,3 milhões (R$ 12 milhões) por atingir as oitavas de final do Mundial do Brasil.
    Não ficou por isso. Em 2016, cinco jogadoras da equipe acionaram um órgão do governo americano responsável por fiscalizar a aplicação de leis trabalhistas. Queriam denunciar a diferença de tratamento em relação aos colegas. Chegaram a ameaçar boicotar o torneio olímpico, no Rio, antes de assinar uma convenção coletiva recauchutada.
    O desequilíbrio não se restringe aos EUA. Na França, sede deste Mundial, o salário médio de uma atleta da primeira divisão é de 2.500 euros (R$ 10,8 mil), segundo a federação nacional. Entre os homens da elite do esporte, a remuneração mensal média é de 108 mil euros (R$ 468 mil), segundo o jornal L'Équipe.
    O quadro se repete no orçamento dos clubes. O Lyon, força hegemônica entre as mulheres, tem teto de gasto de 3,5 milhões de euros (R$ 15,2 milhões) por ano. Muito menos do que os 285 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão) de que dispõe a equipe do sexo oposto.
    É no Lyon que atua a norueguesa Ada Hegerberg, 23, primeira jogadora a levar a Bola de Ouro, em 2018. A exemplo das americanas, ela resolveu dar um basta na iniquidade. Não defende sua seleção desde agosto de 2017. Na época, reclamou da falta de investimento da federação e de problemas no planejamento.
    Discordâncias em relação ao rumo do trabalho também motivaram um levante na seleção brasileira no fim de 2017, depois de a técnica Emily Lima, a primeira mulher a dirigir o time, ser afastada.
    A atacante Cristiane, uma das protagonistas da seleção, chegou a anunciar sua aposentadoria do time. Voltou atrás e está no grupo que estreia no domingo (9), contra a Jamaica, em Grenoble.
     
    No país-sede da Copa, o comitê organizador alardeia as estatísticas de ingressos vendidos (até o último dia 4, 930 mil de um total de 1,3 milhão disponibilizados), e a Fifa celebra a intensificação da cobertura midiática "“o número de jornalistas credenciados dobrou em relação a 2015.
    Mas vários elementos do próprio campeonato explicitam o "gap" na comparação com o torneio masculino.
    O estádio que acolherá os jogos em Paris será o já citado Parc des Princes, com capacidade para 47 mil pessoas, e não o mais moderno Stade de France, cujos 81 mil assentos testemunharam a debacle dos homens brasileiros na final da Copa de 1998.
    Os organizadores argumentam que a candidatura francesa foi submetida há cinco anos, quando "o desenvolvimento do futebol feminino não era como o atual", e encher as arenas era, na visão do comitê, um fator essencial para o sucesso da competição.
    Além disso, as seleções não terão base fixa (ao contrário da Copa masculina), "por razões de organização e de custo", segundo o comitê.
    Por fim, na França, as Fan Fests, que costumam reunir milhares de pessoas diante de telões no coração das cidades-sedes, ganham versão mais enxuta e de nome pomposo, Fifa Fan Experience. E, no apito inicial da Copa, não se saberá que país receberá a próxima edição, em 2023, algo impensável no masculino.
     
    Alguns analistas enxergam virtudes neste caráter ainda relativamente "artesanal" da modalidade e destacam seu apelo popular. É como se, longe das cifras milionárias das transações de jogadores e dos patrocínios, pudesse haver uma reconexão com as raízes do esporte, sua simplicidade ao alcance de todos.
    "Nunca fomos movidas pelo dinheiro. Estamos aqui por gostar do jogo", disse a meia brasileira Andressinha, 24, que disputa sua segunda Copa pela equipe principal.
    Ela não disfarçava a satisfação, porém, com o aumento do interesse do mercado publicitário nos últimos meses. Foram três convites, contra nenhum quatro anos atrás.
    Os dias de glória talvez não estejam tão distantes assim /
    Por: Folhapress

    Escrito por folha

    Seu Portal informativo, aqui você bem informado.



      Comentário do Google+
      Cometários do Facebook

    0 comments:

    Post a Comment