Cabral muda tom em depoimentos ao longo dos anos; ex-governador chegou a citar Odete Roitman

    Divulgação/Agência Brasil
    Em seus depoimentos a justiça, o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral evoluiu de réu indignado para colaborador das autoridades. De acordo com informações publicadas pelo jornal Folha de São Paulo nesta sexta-feira (7), o político se apresentou 25 vezes na Justiça Federal para ser interrogado e escolheu ficar em silêncio por duas ocasiões.
    Na última quarta (5), Cabral teve seu acordo de colaboração com a Polícia Federal homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin - apesar do Ministério Público Federal (MPF) ter se manifestado contra. O órgão considera que Cabral tem pouco a contribuir às investigações. 
    O ex-governador responde a 31 ações penais decorrentes da operação Lava Jato, e outras duas por outros crimes. Ele terá de participar ainda de doze interrogatórios - além daqueles que serão marcados em futuras ações penais a serem abertas. Na próxima segunda-feira (10), Cabral voltará a se apresentar à justiça.
    Durante seus dois primeiros interrogatórios, o ex-governador respondeu apenas questionamentos de sua defesa e disse que não cobrou propina durante sua gestão entre 2007e 2014, mas se apropriou de sobras de caixa dois de campanhas eleitorais. A postura de Cabral mudou após a primeira condenação a 14 anos e 2 meses de prisão pelo então juiz, e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. 
    Neste contexto, de acordo com a publicação, ele se referiu as denúncias de que cobrava 5% sobre grandes contratos de “maluquice”. Na ocasião, Cabral citou a vilã da novela “Vale Tudo” (1988-1989) ao responder sobre o motivo de tantos delatores o apontarem como destino de suborno.
    “Eu não matei Odete Roitman. Que há uma possibilidade de as pessoas colocarem na minha conta má conduta que não foi cometida por mim, eu não tenho dúvida”, disse ao juiz Marcelo Bretas em julho de 2017.
    O ex-governador chegou a se desentender durante a audiência com o procurador Eduardo El Hage, chefe da força-tarefa da Lava Jato fluminense, e com o próprio Bretas. O embate acabou culminando com sua transferência para Curitiba - onde foi algemado nas mãos e nos pés. Uma nova mudança de tom é sinalizada pela reportagem da Folha após a delação do o economista Carlos Miranda ser homologada no STF. 
    Miranda é apontado como o “gerente” de Cabral. Ele manteve a linha de defesa, mas fez depoimentos em tons mais emocionados na tentativa de conquistar a confiança de Bretas. Ao fim daquele ano, Cabral já se aproximava dos 200 anos de pena somadas, sem qualquer perspectiva de sair da prisão. Com isso a estratégia do advogado Márcio Delambert passou a ser confessar crimes, mesmo sem qualquer acordo. 
    No início de 2019, por exemplo, Cabral mencionou supostos crimes que cometeu para beneficiar outros políticos, como o ex-prefeito Eduardo Paes; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Todos os citados negam as acusações de Cabral.(BNews)
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