Endividamento atinge mais de 530 mil famílias em Salvador


    Mais de 530 mil famílias em Salvador estão com algum tipo de dívida, 94,4 mil a mais em relação ao mesmo período do ano passado, segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). A informação foi divulgada pela Fecomércio-BA, nesta quarta-feira (20), após análise dos efeitos do coronavírus nas finanças das famílias na capital baiana. Em quase dois meses de quarentena, com isolamento social e lojas fechando totalmente ou parcialmente, o desemprego cresce de forma acelerada e com ele vem a redução da renda.
    Segundo a Federação, em maio, a taxa de endividados na capital baiana disparou 57,1%, maior percentual desde outubro de 2016 e 7,2% pontos percentuais acima do visto em abril (49,9%). O percentual de famílias que não conseguiram pagar as dívidas até o vencimento também passou de 16,9% em abril para os atuais 21,6%, maior patamar desde janeiro de 2018.
    Em números absolutos, significa 200 mil famílias inadimplentes, aumento expressivo de 40 mil em um mês. O principal tipo de dívida continua sendo liderado pelo cartão de crédito com 90,3%, mas nada fora dos resultados anteriores. “Um dado que chama mais atenção é o aumento do percentual do crédito consignado, de 3,5% em abril para 6,6% em maio. Apesar do aumento mensal, o lado positivo é que o crédito está atrelado a algum tipo de segurança como salário e pensão, por exemplo, e que o risco de inadimplência é baixo e da mesma forma a taxa de juros cobrada”, analisa o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.
    O economista pondera que outra análise interessante da pesquisa de maio é o resultado por faixa de renda. O percentual de endividados das famílias com renda até 10 salários mínimos é de 58,8%, enquanto que para os que ganham mais a taxa é de 39%. Em relação a inadimplência o grupo com renda mais baixa registrou 23,2%, cinco pontos percentuais acima do mês anterior. Já na faixa com renda mais elevada, o percentual ficou em 8,1%, pouco acima dos 6,3% vistos em abril.
    “É natural pensar que as famílias com renda mais baixa são as que mais sofrem neste momento, pois, em sua maioria, não têm recursos guardados para complementar a renda neste momento de pandemia”, afirma Guilherme, acrescentando que “as condições que os bancos darão para esse perfil de consumidor são altamente desfavoráveis, com restrição nos valores e taxas de juros elevadas. Vale lembrar que o cartão de crédito tem uma taxa média no rotativo próxima a 300% ao ano”.
    De acordo com a análise do economista, as famílias com renda mais elevada contam com investimentos, podendo manter a qualidade do consumo neste período de pandemia. “Evidentemente, todos se assustam pela falta de previsibilidade, mas tendo mais recursos e, por consequência, mais garantias, conseguem melhores condições de crédito caso seja necessário”, afirma.
    Guilherme Dietze ainda avalia que o crédito continuará seleto por parte dos bancos e a tendência é que a inadimplência continue em expansão, pois as famílias precisarão complementar a renda para consumir, mesmo tendo em vista o recebimento dos R$ 600 do auxílio emergencial e a hipótese de não pagamento da dívida contraída. / Por: Divulgação
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