Equipe de Guedes teme estragos de Weintraub no Banco Mundial



    A saída de Abraham Weintraub do MEC (Ministério da Educação) foi celebrada, nos bastidores, por membros do Ministério da Economia.
    A demissão é vista como chance de aproximação e redução de atritos entre os Poderes, especialmente em um momento em que a pasta busca articular reformas econômicas e reestruturação de programas sociais no Congresso.
    Por outro lado, representantes da pasta e negociadores brasileiros afirmam que a indicação do ex-ministro ao posto no Banco Mundial, em Washington, tem grande potencial de dano ao país, a depender de seu comportamento.
    A avaliação na área econômica é que o ex-ministro terá de se abster do tom de confronto e das falas polêmicas, já que, agora, suas declarações serão interpretadas internacionalmente como posições do governo brasileiro.
    Na quinta (18), foi anunciada a demissão de Weintraub do Ministério da Educação. No mesmo dia, foi confirmada sua indicação para ocupar o cargo de diretor-executivo no Banco Mundial para um grupo de nove países acionistas do qual o Brasil faz parte.
    Weintraub disse nesta sexta (19), em rede social, que deixará o país em breve. "Aviso à tigrada e aos gatos angorás (governo bem docinho). Estou saindo do Brasil o mais rápido possível (poucos dias). Não quero brigar! Quero ficar quieto, me deixem em paz, porém, não me provoquem!"
    Internamente, o ministro Paulo Guedes (Economia) já demonstrou descontentamento com Weintraub.
    Na avaliação da equipe de Guedes, as constantes polêmicas nas quais Weintraub se envolvia produziam ruídos no governo e criavam rusgas com o Congresso e o Judiciário. Com a demissão, membros da pasta esperam que as negociações com o Legislativo fiquem mais fáceis.
    Nos próximos meses, Guedes quer dar vazão a uma pauta de retomada da economia, com reformas estruturantes e a criação de um novo programa de empregos com encargos reduzidos. Também entrará no pacote uma reformulação de programas sociais.
    O tema é considerado delicado porque o ministro quer revisar ou extinguir programas considerados ineficientes, como abono salarial, farmácia popular e seguro-defeso.
    Entretanto, se a demissão gerou relatos de alívio, a nomeação para o Banco Mundial tem gerado preocupação.
    Na avaliação de técnicos, frases colocadas por Weintraub sem o devido cuidado poderão fazer estragos nas relações do Brasil com outros países.
    A diretoria-executiva já foi ocupada por Pedro Malan, Murilo Portugal e Otaviano Canuto, considerados bons negociadores e diplomatas.
    A decisão de Bolsonaro de presentear um aliado com a função no Banco Mundial também foi criticada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já havia se manifestado a favor da troca de comando no MEC.
    Apesar da avaliação negativa, membros da equipe econômica esperam que Weintraub seja reconduzido à vaga em outubro, quando haverá a troca de gestão dos diretores-executivos da instituição.
    O posto é ocupado interinamente pela filipina Elsa Agustin desde janeiro de 2019.

    Weintraub foi indicado para ocupar uma das 25 cadeiras do Conselho da Diretoria-Executiva do Banco Mundial. Ao titular desse cargo cabe representar não apenas o Brasil mas também Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago.
    Nesta sexta, o Banco Mundial foi informado sobre a escolha brasileira. Se eleito pelo grupo de países que irá representar, o mandato de Weintraub será até 31 de outubro, quando se encerra a gestão aprovada há quase dois anos.
    Para continuar ocupando a vaga, ele precisará passar por nova eleição em outubro, que lhe garantiria um mandato de dois anos a partir do pleito.
    Interlocutores do governo afirmam que não há impedimento para a recondução do nome. A avaliação é que a medida será uma mera formalidade a ser cumprida após definição do governo. A decisão final caberá a Bolsonaro.
    Membros do governo ressaltam que a formação dos grupos de países no banco muitas vezes não coincide com as indicações de seus representantes. Por isso, não haveria problema em uma recondução.
    Apesar do histórico de polêmicas e distante da diplomacia necessária ao cargo, a equipe de Guedes diz acreditar que Weintraub será reconduzido.
    O salário anual previsto é de US$ 258.570, o equivalente a R$ 115,8 mil mensais, sem 13º - R$ 1,3 milhão por ano. O valor é mais de três vezes o salário de ministro, de R$ 31 mil.
    Economista pela USP, Weintraub fez carreira no Banco Vototantim (hoje BV). Ele ingressou como estagiário no grupo em 1994, mesmo ano em que se graduou, e lá permaneceu até 2012. Ele também foi sócio de uma gestora de fundos. /Agência Brasil
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