Procuradores do MPF tiveram e-mails hackeados durante ataque à J&F



    Procuradores do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília que atuam na força-tarefa da Operação Greenfield e negociaram o bilionário acordo de leniência firmado com a J&F Investimentos, holding da família Batista, tiveram e-mails hackeados durante o ataque cibernético que a empresa diz ter sofrido, entre junho de 2019 e maio deste ano.
    A Procuradoria da República do Distrito Federal foi notificada, nesta quarta-feira (19) pela J&F sobre a interceptação ilegal de mensagens. Procurado pelo Valor Econômico, o MPF de Brasília afirmou que “a princípio, a força-tarefa Greenfield não identificou nenhum prejuízo potencial a respeito do assunto”.
    De acordo com a PGR, no entanto, ainda não houve uma “análise aprofundada sobre o tema”. “Segundo informado pela própria empresa [J&F], já há investigação sendo conduzida pela Polícia Civil em São Paulo”, disse o MPF por meio de nota.
    A principal linha de investigação da Polícia Civil de São Paulo apontou, até o momento, a Paper Excellence (PE) como suposta mandante da interceptação ilegal. De acordo com o que foi apurado, a intenção seria conhecer detalhes da estratégia jurídica adotada pela J&F na disputa de R$ 15 bilhões travada com o grupo indonésio pelo controle da Eldorado Celulose há quase dois anos.
    A PE negou que tenha qualquer envolvimento no caso e afirmou que a J&F “faz acusações infundadas”. O grupo indonésio disse ainda que tomou conhecimento da investigação da Polícia Civil pela imprensa, e que uma decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo - que concedeu liberdade a um suspeito de hackeamento - “deixou claro que a própria Justiça não identificou qualquer ligação dos fatos narrados à Paper”.
    Entre os “hackeados” estão também advogados do escritórios brasileiros E. Munhoz Advogados, responsável pela coordenação dos demais escritórios contratados pela J&F, e Lefosse Advogados - banca responsável pela arbitragem internacional, além do escritório Bichara Advogados, entre outras dezenas de defensores relacionados nas perícias.
    Por meio de nota, a J&F afirmou que “reitera que identificou um desvio ilegal de seu servidor de e-mails, e que na condição de vítima desse ataque levou os fatos ao conhecimento das autoridades”.
    Lefosse
    O Lefosse Advogados emitiu a seguinte nota sobre o assunto:

    “São Paulo, 19 de agosto de 2020 – Recebemos, com indignação, a notícia de que o sistema do nosso cliente J&F Investimentos S.A. foi vítima de ataque cibernético.
    De acordo com informação da J&F, no contexto desse ataque, determinadas mensagens eletrônicas trocadas entre advogados do nosso Escritório e ela foram objeto de interceptação por terceiros.
    Trata-se de ofensa grave ao sigilo profissional, à defesa dos interesses desse cliente e ao exercício da advocacia.
    Após recebermos a comunicação do ataque, investigamos nossos próprios sistemas e confirmamos que as comunicações eletrônicas e sistemas do Escritório não foram atingidos. Realizamos rotineiramente testes e auditorias para assegurar a higidez de nossos sistemas, sempre em conformidade com a expectativa de sigilo inerente aos atos da advocacia.
    Repudiamos o ocorrido e apoiaremos as investigações para a punição rigorosa dos responsáveis.”
    E.Munhoz
    O E.Munhoz Advogados emitiu a seguinte nota sobre o assunto:

    E.Munhoz Advogados recebeu com indignação a informação sobre a grave violação do sigilo profissional verificado nas suas comunicações com o Grupo J&F, em virtude do ataque cibernético sofrido por seu cliente. Não há nenhum registro de que outras comunicações do escritório tenham sido violadas. O escritório observa os mais elevados padrões de segurança para garantir o sigilo das informações trocadas no exercício de suas atividades. O escritório apoiará as investigações em curso a respeito dessa inadmissível violação de uma das principais garantias do exercício da advocacia. /

     Por: Reprodução  Por: Redação BNews

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