Desconhecimento de gerentes de banco limita aceitação do Pix, dizem executivos



     A falta de conhecimento entre os gerentes dos bancos ainda é um desafio na adaptação dos sistemas de empresas de médio porte para aceitação do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do BC (Banco Central), avalia o diretor executivo para varejo e distribuição da Totvs, Elói Prado de Assis.

    “Temos recebido uma demanda pesada de todos os cantos. Mas ainda tem muita gente que está tendo fricção no momento de ligar para o banco e pedir a chave do API do Pix, porque o gerente muitas vezes não sabe muito bem o que é ou como conseguir”, afirmou o executivo em evento promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) na última semana.

    API é a sigla, em inglês, para Interface de Programação de Aplicativos e se refere a um conjunto de protocolos que permite a conexão entre sistemas, para que estes consumam ou troquem informações de maneira padronizada.

    Para Assis, o movimento acaba atingindo mais os negócios de médio porte porque são grandes demais para conseguir atuar apenas com o QR Code e pequenos demais para ter uma equipe interna reservada apenas para a adaptação de seus sistemas ao Pix.

    Segundo Ivo Mósca, coordenador da subcomissão de pagamentos instantâneos e porta-voz do grupo de segurança da Febraban, o motivo do atrito é a padronização dos sistemas, que ainda não está completamente implementada no mercado.

    “Dada a grande evolução dos sistemas de API, temos o desafio de encontrar, no mercado, quais são as companhias com os sistemas mais avançados ou que ainda estão na primeira versão. Por isso a padronização é importante”, afirmou o executivo.

    Segundo Mósca, é por esse motivo que a expectativa de que estes primeiros meses sejam de aprendizado.

    “É muito comum o cliente ter um relacionamento comercial, mas o gerente não necessariamente ser um especialista em Pix. Por isso estamos integrando equipes neste momento, para auxiliar no processo de automação de sistemas”, disse.

    A tendência, segundo os executivos, é de que os sistemas das empresas estejam implementados de maneira mais disseminada ainda no primeiro semestre de 2021.

    Para Carlos Brandt, chefe adjunto do departamento de competição e de estrutura do mercado financeiro do Banco Central, a adesão das companhias ao novo sistema acontecerá de maneira gradativa.

    “A dinâmica de inserção das empresas, de forma geral, principalmente das companhais que precisam de uma conexão com instituição financeira e de pagamento para alimentar seu sistema de automação comercial, tem um ritmo próprio”, disse o executivo.

    Por enquanto, o novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central só está disponível para transferência entre pessoas e empresas, pagamentos de compras e das GRUs (guias de recolhimento da União.

    A agenda do BC inclui a implementação do pagamento de contas de água, luz e telefone, a possibilidade de saques no varejo e outras funcionalidades, como o Pix Cobrança (que atuaria como um boleto, por exemplo), o Pix garantido (que funciona como o parcelado sem juros), o recolhimento do FGTS por parte das empresas, os pagamentos offline e por aproximação, o Pix cross border (comércio transfronteiriço) e o Pix como débito direto.

    Em termos de segurança, Brandt disse que é preciso separar o que é a segurança do Pix dos golpes de fraudes que podem acontecer.

    “O Pix já nasceu com todo um arcabouço de segurança embarcado na tecnologia. Além disso, algumas questões que possam ajudar no processo de segurança também serão inseridas, bem como soluções adicionais que surjam no meio do caminho”, afirmou o executivo do BC.

    O BC, analistas e integrantes do novo sistema de pagamentos já haviam alertado para a possibilidade de fraudes no Pix –a maioria trazida pelo uso indevido de chaves ou por engenharia social.

    Por ser instantâneo e, consequentemente, sem possibilidade de estorno, a instrução do BC é para que os consumidores sempre chequem as informações disponibilizadas antes de confirmarem a transação ou o pagamento, checando, além dos dados pessoais (como nome e CPF), a instituição financeira ou de pagamento destinatária.

    Especialistas de segurança também já haviam sinalizado a importância de cadastrar as chaves tão logo seja possível, uma vez que caso algum fraudador tente registrá-las ou se houver algum cadastro indevido, o consumidor saberá e poderá reverter a situação.

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